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domingo, 7 de dezembro de 2008

Sensibilidades

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Sinceramente, sinceramente, não vejo, não ouço, não sinto, não percebo nada de novo em tudo o que tem acontecido nos últimos dias. Mas se calhar sou eu que sou duro de olhado, de ouvido, de sentido e de inteligência.
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Não foi no verão. E agora?

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Depois da manifestação dos Professores em Março, comentando o facto com os que me cercam (acho que se diz inner circle), considerei que dificilmente a Sra. Ministra se aguentaria para lá do verão. Férias, as escolas sossegadas, os Professores a banhos e esse seria o tempo ideal para uma mini-remodelação, abrindo a porta a uma outra pessoa, menos conflituosa, mais acessível, assim a modos que mais Ana Jorge, se é que me entendem - alguém a quem não ficasse mal ceder aqui, abrandar acolá, de maneira a segurar o leme no último ano da legislatura, sem que a ondulação causasse muitos estragos.
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Não aconteceu. Aconteceu, isso sim, outra manifestação, mais marcante do que a anterior. A ocupante da pasta é a mesma e, como não podia deixar de ser, o discurso é o mesmo, também. Que diabo, tudo o que existe é resultado de um edifício que vem sendo construído desde há três anos. Ceder agora seria, aos seus olhos, deixar a casa por acabar, no momento de a abandonar.
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Como é que isto vai ser resolvido? Não faço a menor ideia. Atacou ferozmente os professores onde mais lhes dói - na sua dignidade profissional. Eles respondem como podem - na rua e no campo eleitoral, sobretudo, já que não lhes pertence o poder dos magistrados ou a influência dos médicos, por exemplo. Será que os políticos vão desprezar este campo (o eleitoral, que se desgasta rapidamente), que lhes é tão querido? Se o fizerem, salvam a face (que raridade tão custosa!). Se o não fizerem, ainda vão a tempo de ganhar alguma coisa?
É que (diz-se) a memória do povo não ultrapassa os 6 meses; se assim é, devem despachar-se!
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Ah, e outra coisa, antes que me esqueça - a batata quente continua onde estava, nas mãos de todos. Um destes dias explico melhor esta ideia. Se outro o não fizer por mim.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sentimento estranho

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Ouvi, na rádio, um comentário do Professor Quintanilha que apreciei. Dizia esta douta personalidade que a esquerda europeia se sentia "desconfortável" (a ideia era esta, a palavra usada não) com a eleição de Obhama, nos EUA - sobretudo porque aconteceu justamente nesta potência capitalista o supremo acto democrático que se traduz na escolha de um representante da comunidade afro-americana, minoritária e mal tratada, para a liderança. Ouvi e concordei.
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Depois, reflecti. Tenho acompanhado todo o processo (eleitoral) com alguma curiosidade. Nos últimos dias, vi reportagens sobre os candidatos e espreitei a forma como o seu discurso (deles, dos candidatos) foi evoluindo. E concluí: ou fui ficando desiludido com o presidente eleito, porque se tornou evidente que a sua ambição pessoal é o motor da sua acção, ou também faço parte daqueles que não esperavam este final.
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Permitam-me ir um pouco mais longe. Ver um candidato republicano constrangido quando teve que apoiar publicamente G. W. Bush, em 2000 (por pura fidelidade partidária), humilde na forma como reconheceu ser uma das pessoas mais afortunadas do mundo pela vida que construiu, ou enorme na forma como sempre respeitou o oponente e como reconheceu a sua vitória, faz-me sentir que, agora, o aprecio mais do que alguma vez imaginei possível. Será por me sentir desconfortável com a vitória de Obhama? Será porque perdeu, e eu tenho sempre um especial carinho pelos derrotados? Será porque, bem lá no fundo, eu sempre soube que não havia diferença nenhuma entre eles? Será? Será?
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Acho que o maior sonho americano do momento é ... ser europeu! E isso já foi bem melhor. Que o digam os islandeses. É que isto de ser pobre é sempre desconfortável. Sei-o (demasiado) bem.
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