I - O bom professor, hoje, apresenta resultados, é cordato tanto na sala de aula como na sala de professores, dá-se bem com os funcionários e, quando tem de intervir (?!), fá-lo a partir de:
a) Uma prévia, ainda que sumária e instantânea, ponderação das consequências do seu agir;
b) Um acumular de tensões desfragmentadas que, na expansão, não abale a confiança que nele é depositada.
II - Participar na vida das escolas é vivenciar roupagens, na diacronia e na sincronia, com malha ora frouxa ora apertada, na submissão a olhares que enebriam e levam muitos a vender as varandas, outros a seguir o seu caminho sabendo que-que-que, outros e outras, ainda, a (não) terem pena de ser como são, em face do contexto em que lhes é dado exercer a profissão e do mundo em que lhes é dado serem bons sobreviventes.
III – Pequenas tempestades, em face de grandes martírios e de tragédias à antiga – oh, Felícia, fica sempre um espaço para a energumania te acusar de seres bela ou bruxa e, por uma caxa, dares tudo, naquele instante louco dos deuses – fazem dos poderes instituídos farrapinhos de cetim: que se há-de dizer quando, perante acusações tremendas na praça pública, a gente assobia e vai à vidinha, contempla o grassar não apenas do desemprego mas também do multifunções amigo e ao mesmo tempo inimigo do rei e da amante da rainha?
III – A avaliação daquele e daquela que, expondo-se, se gastam e se regeneram, passam à frente-por-vezes-de-lado e, agitando-se no milieu, saem do Rainha e vão logo direitos à Marquês, num tempo recuado em que os pais estiveram a beber canecos de geropiga e de cevada forte, recuados em home sweet home, a avaliação, ia dizendo, faz, também ela, de per si, toucinho do céu (de picos, urtigas cavalares, figos de palmeiras que só com lenço se deixam agarrar, vidro moído em estômago de cão que acabou de colocar às portas da morte o serviçal, e não de rosas, cravos com aroma, buganvílias e talvez ginkobilobas em dia balsâmico em que tocam campainhas quando tudo está, por assim dizer, acabado.
IV – Serviço é serviço, conhaque é conhaque – e saber que um tal Torcato Sepúlveda (grande nome) escreveu, em duas folhas do suplemento do JN de sábado, 17 de Novembro de 2007, um bom artigo sobre o que os franceses e os ingleses nos fizeram, há duzentos anos, iss não conta para avaliação? E gastar dinheiro do meu bolso a fotocopiar, andando num toyota, de dois lugares, novinho em folha, fornecido pela escola, com rede separadora entre o habitáculo de passageiros e a parte de trás (salvo seja) da carga nobre-porque-dada-a-ser-semeada, quase sem me alimentar a não ser das notícias já gelatinosas da tsf: nada disso conta? Que diabo, o bloquista é o melhor em setenta mil e, para além do mais, faz da terra lhana das bugas o seu recreio de eleição (estou magro).
V- Esta é para as moças fazerem, as que já são diplomadas.
VI – Este é para o mestre fazer (pode ser um analfabeto).
(Esta a primeira parte do B a G).
domingo, 18 de novembro de 2007
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
especial zero
Enquanto não aqueço as baterias para o de B a G, e estando em Guimarães-Jazz, por assim dizer, depois de um borliu com a big band doa Ismae (não é da Maia), à espera das vinte e duas, lembro-me deste tema, com razão concreta o faço, não minha (o que é meu, dize-mo caixotinho de (en)comendador(a)?), mas de um espaço e de um tempo que me é dado, quatro-partes-de-dia-por-semana, as horas mandadas e mais o caminho, as distracções e os arrastamentos.
Há um propósito e uma conjugação de boas vontades no sentidos de colocar os meninos e as meninas que apresentam ou falhas e lentidões notórios, ou algum neurónio mal acomodado ou acomodado mesmo muito, ia dizendo, há a ideia, que vigora há décadas, de integração com base na igualdade de oportunidades e também, para alguns mais minoritários, o efeito colateral de activar uma espécie de abrir a tolerância dos «meninos-mamã-brancos», por assim dizer, rompendo o mito do estereótipo, do classe média que há-de ir para medicina (o pai e o avô ingressaram com 10 ou 11, numa escala de zero a vinte, e fizeram car(r)(t)eira, mas ele, o «branco-net(o)», terá de se alçar ao dezoito e meio, na mesma escala. E tudo isto a propósito de ensino especial.
Proponho, então, para o futuro:
A) Um ensino especial para as elites (gente que revela muito cedo qualidades - natas, inatas e constructas – para a música (já-que-aqui-estou, por exemplo uma Susana Silva), para a técnica e a arte da medicina, da arquitectura, da engenharia, da economia, enfim, da política e do futebol.
B) Um ensino especial para os que, à partida, se hão-de inclinar para trabalhos por conta própria: gente filha de padrinhos e, por outro lado gente bastarda, isto é, gente que dificilmente brilhará na passerelle (a menos que o conceito de beleza venha, um dia, a ser democratizado, o que a maior parte de nós não deseja)
C)Um ensino «normal» para muitos dos outros (haverá sempre alguns que atiram com a albarda em Penafiel, no dia 10 de Novembro – no feriado já é o day after).
Avaliai isto, comadres e compadres, em alqueires de milho e em canecas de americano proibido e, se quiserdes, subi na vida (na verdade, tendes sempre menos de um século para o fazerdes, não esquecendo que a unidade-base geo é dez elevado a seis anos de trezentos e sessenta e cinco dias). Somos pobrezinhos mas somos sobreviventes, por enquanto, o que nos deve – helas – alegrar.
Há um propósito e uma conjugação de boas vontades no sentidos de colocar os meninos e as meninas que apresentam ou falhas e lentidões notórios, ou algum neurónio mal acomodado ou acomodado mesmo muito, ia dizendo, há a ideia, que vigora há décadas, de integração com base na igualdade de oportunidades e também, para alguns mais minoritários, o efeito colateral de activar uma espécie de abrir a tolerância dos «meninos-mamã-brancos», por assim dizer, rompendo o mito do estereótipo, do classe média que há-de ir para medicina (o pai e o avô ingressaram com 10 ou 11, numa escala de zero a vinte, e fizeram car(r)(t)eira, mas ele, o «branco-net(o)», terá de se alçar ao dezoito e meio, na mesma escala. E tudo isto a propósito de ensino especial.
Proponho, então, para o futuro:
A) Um ensino especial para as elites (gente que revela muito cedo qualidades - natas, inatas e constructas – para a música (já-que-aqui-estou, por exemplo uma Susana Silva), para a técnica e a arte da medicina, da arquitectura, da engenharia, da economia, enfim, da política e do futebol.
B) Um ensino especial para os que, à partida, se hão-de inclinar para trabalhos por conta própria: gente filha de padrinhos e, por outro lado gente bastarda, isto é, gente que dificilmente brilhará na passerelle (a menos que o conceito de beleza venha, um dia, a ser democratizado, o que a maior parte de nós não deseja)
C)Um ensino «normal» para muitos dos outros (haverá sempre alguns que atiram com a albarda em Penafiel, no dia 10 de Novembro – no feriado já é o day after).
Avaliai isto, comadres e compadres, em alqueires de milho e em canecas de americano proibido e, se quiserdes, subi na vida (na verdade, tendes sempre menos de um século para o fazerdes, não esquecendo que a unidade-base geo é dez elevado a seis anos de trezentos e sessenta e cinco dias). Somos pobrezinhos mas somos sobreviventes, por enquanto, o que nos deve – helas – alegrar.
domingo, 11 de novembro de 2007
Acompanhando dois amigos
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Tenho, no Carvalho antigo, publicado alguns textos sobre liderança de Escolas, num exercício de colocação e antecipação, face ao que julgo ter que vir a fazer no futuro imediato.
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Com isso, e com a produção de ficção literária que vou construindo no novo Carvalho, sobra pouco tempo para me dedicar a esta coisa da cidadania, ou seja, a este cantinho.
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Vão valendos os dois amigos que aqui vão "enchendo" o sítio com qualificadas e actuais visões do mundo, senão todo, pelo menos da Educação.
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Esta última, da autoria do pandacruel, é demasiado tentadora para me ficar pelo comentário. Sei que será tratada em profundidade, nos próximos tempos, que as promessas que faz não são esquecidas. Mas tenho que dizer algo que mexe comigo e com as funções que desempenho (um pouco deslocadas, diga-se desde já, se considerarmos a docência o centro de tudo o que interessa).
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Diz, e muito bem, que ora se pretende, entre outras coisas - que o aparente começar no B) não é acidental - a redução das taxas de abandono escolar, tendo em conta o contexto sócioeducativo.
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Este é um desiderato que reputo estranho, para a Escola e para os Professores. Seria compreensível, logo aceitável, se este fenómeno, que se pretende combater, fosse da responsabilidade da instituição ou dos seus docentes. Que estes e aquela originassem o referido fenómeno ou, se assim não fosse, o condicionassem.
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Tenho estudado, de forma intensa e profunda, o assunto. Procuro conhecer a realidade, desde os números (muito amigos do mesjag), passando pelas razões (idem, para o pandacruel) e desembocando nas soluções.
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Com um deles discuti várias vezes o papel da Escola, com o outro implementei acções concretas.
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Aceito, como dado adquirido, que o rigor e a intolerância são produtores de abandono e exclusão.
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Do primeiro, não encontro alternativa, para a segunda não me resta paciência - devemos erradicá-la ou, se isso não for possível, pelo menos atenuar os seus efeitos. O rigor é uma exigência profissional e cívica. A intolerância é uma adversidade a resolver.
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É claro que o insucesso também contribui para o abandono e para a exclusão - sobretudo se repetido, se edificador de "decalage" etária, se decorrente de outro centro educativo que não o Aluno. E isso também acontece, com mais frequência do que gostaríamos de reconhecer.
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Mas o que é notório, para mim, enquanto responsável por Escolas (o plural não é acidente), centra-se na responsabilidade da família, nesse campo. Do Pai ou Encarregado de Educação, do irmão ou irmã, do tio, primo, avô, seja quem for que esteja perto do jovem.
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Quando o Professor, Director de Turma ou outro, se preocupa com o Aluno, procurando, junto dele e da sua família, que resista à tentação sedutora da saída precoce, da fuga, do abandono do futuro a construir, pouca ajuda recebe, na maior parte dos casos. E quando a Instituição o acompanha nessa tarefa, é frustrante confirmar esse baixar dos braços colectivo.
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Tenho que dizê-lo, que o afirmar, gritá-lo, se preciso for: o abandono e a exclusão escolar nunca diminuirão, de forma sensível (que é o que todos pretendemos) se a família de quem está em risco de sair (Encarregado de Educação e outros) não mudar de atitude - e são os familiares destes Alunos que assumem a pior atitude possível face à Escola!
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Querem saber qual é essa atitude, que impede qualquer alteração nos resultados? É não ser Pai ou Mãe, é deixar na mão (neste caso, na vontade) do jovem, a decisão, é abdicar da responsabilidade parental. Nem sequer tem a ver com moderna forma de assumir o papel, passando a "amigo" do filho. Não vai tão longe, não. Fica-se mesmo pelo encolher de ombros e pela frase já consagrada "o Senhor Professor sabe, ele quer assim, é melhor fazermos como ele quer, não vale a pena insistir ...".
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balancear1
O ano de 2007 trouxe os professorem «à ordem», com novas exigências, aperto na carreira, rigor no trabalho. Importa perguntar:
Que ordem é esta? Quais os fundamentos? Os professores, se não trabalhavam o suficiente, era porque se regiam por leis anacrónicas, impostas pelas bases? O mau sucesso que atinge uma fatia substancial dos nossos jovens, na escola e na procura de emprego, tem como significativos responsáveis os professores, que não ensinam nem bem nem o suficiente? Ou já não se trata, apenas e no essencial, de ensinar e aprender?
Comecei em 1971. Pediram-me, ao assinar uma espécie de contrato, numa escola industrial, para cumprir um horário de 29 horas semanas, sendo seis ou sete pagas como extraordinárias. O trabalho burocrático era mínimo, no que ao docente dizia respeito. A palavra avaliação não era usada, muito menos abusada, em ambiente escolar. A velha classificação imperava, fazia estragos mas também dava alegrias.
Iniciei a actividade integrando logo um júri de exames de segunda época, com prova escrita e oral, ombreando (tão novo, eu) com um antigo director de colégio, que se havia mudado para o ensino público, o qual, dando-me os parabéns pelas perguntas que fizera na oral, insinuou, boamente, que devia ter sido mais exigente, ido mais longe.
O que é pedido hoje, além do que era costume, ou melhor, o que é destacado, como ganga extraída, estratégica ou apenas tacitamente, de um núcleo essencial e «eterno»?
B – Melhoria dos resultados escolares dos alunos e redução das taxas de abandono escolar tendo em conta o contexto sócioeducativo
C – Participação na vida do agrupamento/escola não agrupada
D – Participação em acções de formação contínua
E - Relação com a comunidade
F – Avaliação dos outros docentes
G – Coordenação do conselho de docentes ou do departamento curricular
Até ao Natal vou tentar alinhavar alguma coisa sobre cada um destes pontos.
Este texto é colocado em cartasaoportador.blogspot.com e em betaocomcompanhia.com (julgo que teclei bem), com os meus agradecimentos aos que, nesses sítios, me abriram a porta, depositando em mim uma dose de confiança que espero não vir a defraudar.
Que ordem é esta? Quais os fundamentos? Os professores, se não trabalhavam o suficiente, era porque se regiam por leis anacrónicas, impostas pelas bases? O mau sucesso que atinge uma fatia substancial dos nossos jovens, na escola e na procura de emprego, tem como significativos responsáveis os professores, que não ensinam nem bem nem o suficiente? Ou já não se trata, apenas e no essencial, de ensinar e aprender?
Comecei em 1971. Pediram-me, ao assinar uma espécie de contrato, numa escola industrial, para cumprir um horário de 29 horas semanas, sendo seis ou sete pagas como extraordinárias. O trabalho burocrático era mínimo, no que ao docente dizia respeito. A palavra avaliação não era usada, muito menos abusada, em ambiente escolar. A velha classificação imperava, fazia estragos mas também dava alegrias.
Iniciei a actividade integrando logo um júri de exames de segunda época, com prova escrita e oral, ombreando (tão novo, eu) com um antigo director de colégio, que se havia mudado para o ensino público, o qual, dando-me os parabéns pelas perguntas que fizera na oral, insinuou, boamente, que devia ter sido mais exigente, ido mais longe.
O que é pedido hoje, além do que era costume, ou melhor, o que é destacado, como ganga extraída, estratégica ou apenas tacitamente, de um núcleo essencial e «eterno»?
B – Melhoria dos resultados escolares dos alunos e redução das taxas de abandono escolar tendo em conta o contexto sócioeducativo
C – Participação na vida do agrupamento/escola não agrupada
D – Participação em acções de formação contínua
E - Relação com a comunidade
F – Avaliação dos outros docentes
G – Coordenação do conselho de docentes ou do departamento curricular
Até ao Natal vou tentar alinhavar alguma coisa sobre cada um destes pontos.
Este texto é colocado em cartasaoportador.blogspot.com e em betaocomcompanhia.com (julgo que teclei bem), com os meus agradecimentos aos que, nesses sítios, me abriram a porta, depositando em mim uma dose de confiança que espero não vir a defraudar.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
O recuo do PS, a desautorização da Ministra!
Estatuto do aluno: PS recua e passa a admitir reprovação por excesso de faltas (in publico.pt - http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1309424).
Já agora, façam mais um favor:
Discutam tudo outra vez! Deixem as estatísticas e preocupem-se com os fundamentos da formação de jovens, futuros cidadãos de um país que deve ter regras.
Já agora, façam mais um favor:
Discutam tudo outra vez! Deixem as estatísticas e preocupem-se com os fundamentos da formação de jovens, futuros cidadãos de um país que deve ter regras.
sábado, 27 de outubro de 2007
Machadada final?
Hoje escrevo com tristeza!
Sinto o desalento e a frustração daquele que vê alguém percorrer um caminho errado e sabe que esse alguém não tem coragem para mudar de rumo a cada cruzamento que passa.
Esse alguém simboliza um país que, a cada passo, deixa para trás valores do passado, inebriado por ideias ocas de sucesso fútil que, ainda por cima, comprometem o futuro.
O desalento e a frustração são o sentimento do homem que, constantemente, se sente impotente para travar os arrepios de sabedoria daqueles que julgam saber do que nunca fizeram.
Falo daquela que será, a acontecer, a machadada mortal para algumas escolas públicas portuguesas.
Parece (é que estas coisas importantes sabem-se sempre primeiro pelos jornais!) que o novo estatuto do aluno vai resolver finalmente dois dos graves problemas da escolaridade obrigatória em Portugal: o absentismo e o abandono.
Como?
Muito fácil. O rapaz falta um tempinho e a gente dá-lhe um exame (não me perguntem quando é que o rapaz fará o exame, se calhar vamos a casa dele levar-lho!). Está tudo resolvido! Finalmente o sonho está realizado: já nem a falta de assiduidade pode causar a retenção. Toda a rapaziada passa de ano, acabaram os chumbos!
Seremos um país de sucesso. Ficaremos no primeiro lugar do ranking. Cumprimos o espírito Europeu!
O facilitismo levado ao extremo. A escola armazém em todo o seu esplendor!
Sobra apenas um problemazito: que resultados aparecerão nos exames nacionais?
Bem, mas este problema também se resolve. Atira-se a culpa para os imbecis dos professores: que não motivam os alunos, que não os habilitam nas competências, que não usam o plano tecnológico. Vai ser fácil atirar o odioso da questão para essa classe de preguiçosos! E, afinal, só se fala uma vez por ano em exames! Porquê tanta preocupação com o conhecimento?
O caminho mais difícil de percorrer é aquele que exige mais esforço. E o grande desafio deste País não é o do índice estatístico, supostamente, imposto pela Europa.
O verdadeiro desafio é saber como se conjuga cumprimento de escolaridade obrigatória com qualidade de aprendizagem.
Para conciliar estas duas vertentes ainda ninguém soube apontar soluções. Se calhar até, ainda ninguém conseguiu encarar o assunto de frente. Para tal é preciso definir prioridades. E tais primados surgirão das respostas que o país quer dar a algumas questões complicadas:
Em que princípios se deve fundamentar o sistema educativo? O princípio da ocupação do tempo das crianças deverá sobrepor-se a todos os outros?
Que regras quer o Estado que a escola dê aos alunos? O Estado quer regras? Ou caminharemos para uma sociedade sem regras?
Deverá o Estado fornecer à escola pública os meios para estar em pé de igualdade com o ensino privado? Ou deverá apenas garantir a subsistência de um número residual de escolas públicas para abarcarem aqueles que não têm possibilidades de frequentar uma privada?
Que suporte dá o estado à família? O Estado quer ter famílias?
Quais as obrigações do Estado em termos sociais? Estará a cumprir tais obrigações? E em termos da criação de condições para o pleno emprego?
É função do Estado zelar pela equidade na distribuição de riqueza?
Que valores proclama o País? Ou já não interessam os valores?
Estas (e muitas outras) são questões importantes que quem dirige o país prefere meter na gaveta. São questões aborrecidas, ainda por cima de difícil resposta.
De certeza que foram inventadas por um daqueles professores que ainda acha que a Escola serve para educar e instruir.
Sinto o desalento e a frustração daquele que vê alguém percorrer um caminho errado e sabe que esse alguém não tem coragem para mudar de rumo a cada cruzamento que passa.
Esse alguém simboliza um país que, a cada passo, deixa para trás valores do passado, inebriado por ideias ocas de sucesso fútil que, ainda por cima, comprometem o futuro.
O desalento e a frustração são o sentimento do homem que, constantemente, se sente impotente para travar os arrepios de sabedoria daqueles que julgam saber do que nunca fizeram.
Falo daquela que será, a acontecer, a machadada mortal para algumas escolas públicas portuguesas.
Parece (é que estas coisas importantes sabem-se sempre primeiro pelos jornais!) que o novo estatuto do aluno vai resolver finalmente dois dos graves problemas da escolaridade obrigatória em Portugal: o absentismo e o abandono.
Como?
Muito fácil. O rapaz falta um tempinho e a gente dá-lhe um exame (não me perguntem quando é que o rapaz fará o exame, se calhar vamos a casa dele levar-lho!). Está tudo resolvido! Finalmente o sonho está realizado: já nem a falta de assiduidade pode causar a retenção. Toda a rapaziada passa de ano, acabaram os chumbos!
Seremos um país de sucesso. Ficaremos no primeiro lugar do ranking. Cumprimos o espírito Europeu!
O facilitismo levado ao extremo. A escola armazém em todo o seu esplendor!
Sobra apenas um problemazito: que resultados aparecerão nos exames nacionais?
Bem, mas este problema também se resolve. Atira-se a culpa para os imbecis dos professores: que não motivam os alunos, que não os habilitam nas competências, que não usam o plano tecnológico. Vai ser fácil atirar o odioso da questão para essa classe de preguiçosos! E, afinal, só se fala uma vez por ano em exames! Porquê tanta preocupação com o conhecimento?
O caminho mais difícil de percorrer é aquele que exige mais esforço. E o grande desafio deste País não é o do índice estatístico, supostamente, imposto pela Europa.
O verdadeiro desafio é saber como se conjuga cumprimento de escolaridade obrigatória com qualidade de aprendizagem.
Para conciliar estas duas vertentes ainda ninguém soube apontar soluções. Se calhar até, ainda ninguém conseguiu encarar o assunto de frente. Para tal é preciso definir prioridades. E tais primados surgirão das respostas que o país quer dar a algumas questões complicadas:
Em que princípios se deve fundamentar o sistema educativo? O princípio da ocupação do tempo das crianças deverá sobrepor-se a todos os outros?
Que regras quer o Estado que a escola dê aos alunos? O Estado quer regras? Ou caminharemos para uma sociedade sem regras?
Deverá o Estado fornecer à escola pública os meios para estar em pé de igualdade com o ensino privado? Ou deverá apenas garantir a subsistência de um número residual de escolas públicas para abarcarem aqueles que não têm possibilidades de frequentar uma privada?
Que suporte dá o estado à família? O Estado quer ter famílias?
Quais as obrigações do Estado em termos sociais? Estará a cumprir tais obrigações? E em termos da criação de condições para o pleno emprego?
É função do Estado zelar pela equidade na distribuição de riqueza?
Que valores proclama o País? Ou já não interessam os valores?
Estas (e muitas outras) são questões importantes que quem dirige o país prefere meter na gaveta. São questões aborrecidas, ainda por cima de difícil resposta.
De certeza que foram inventadas por um daqueles professores que ainda acha que a Escola serve para educar e instruir.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Prémio relevante, por se repercutir no futuro
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Parlamento Europeu atribui Prémio Sakharov 2007 a advogado sudanês
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O Parlamento Europeu atribuiu hoje, em Estrasburgo, o Prémio Sakharov de 2007 ao advogado e activista pelos direitos humanos sudanês, Salih Mahmoud Osman, pelo trabalho em favor das vítimas da guerra civil na região do Darfur.
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O destaque tem duas motivações:
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O Darfur é uma região do mundo onde se cometem atrocidades indescritíveis e, seja por estar muito longe, seja por se situar no continente da extrema pobreza, seja por não ter recursos naturais relevantes, a verdade é que ninguém se preocupa muito com o povo que ali sobrevive e, sobretudo, morre.
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Saber que foi atribuído um prémio, que sempre vai ecoando na consciência dos poderosos, a alguém que tem um mar de coragem para agir, como acontece com Osman, no centro do terror absoluto, tem que ser a notícia do dia. Mesmo sendo o premiado um advogado. Ou por causa disso mesmo.
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E porque, muito perto, em Juba, no Sul do Sudão, trabalha o meu amigo José Vieira, missionário para quem a vida só se entende se a prioridade da acção humana residir na dádiva, na solidariedade, no serviço em prol do outro, sobretudo se estiver fragilizado.
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O seu blogue, JIRENNA, é um hino à paz, à cooperação, à dedicação exclusiva ao próximo. Porque permite estar perto dele, a visita diária ao blogue é, para mim, um acto de cumprimento religioso. Assim mesmo.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Bem que gostaria de não dizer eu não disse ...
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No Sábado, 2 de Junho de 2007, em texto publicado, dizia o que aqui se pode constatar.
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Só passaram 4 meses e já se confirma o que aí receava. Notícia do dia de hoje: a electricidade vai aumentar 2,9%! Conseguem ver alguma relação entre as notícias? Não? Ah, já estão a ver! Bem me queria parecer ...
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E como não apareceu quem apostasse comigo ...
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Vou repetir essa parte. Merece.
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Bom, vamos tornar breve uma longa história. Aposto com quem quiser que, daqui a um ano, a factura da electricidade vai ser bem mais pesada. E esta é uma aposta séria! O que me incomoda é a inexistência de apostadores. Se aparecer algum, não posso concretizá-la, pois não devemos apostar com doidos ou tirar dinheiro a gente ingénua.
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Nem um anito demorou. Não temos sorte nenhuma!
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O ministro da economia (assim mesmo, pequeno, pequenino, minúsculo) julga que andamos todos a dormir. É tempo de lhe mostrar que não andamos. De o mandar para a rua. De correr com ele. Para começar. Outros irão a seguir (se possível, para o Irão). Do mês para falar de coisas boas, passámos para a tribuna anti-governo. Lá terá que ser ...
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Coisas boas em baixa ...
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Há cerca de 10 dias que procuro uma notícia, um evento, um acontecimento que mereça ser relatado, por ser uma coisa boa.
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Há 10 dias que nada encontro.
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Se mais ninguém consegue encontrar algo rapidamente, e fazer disso notícia, começo a ficar preocupado.
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Entretanto, dois acontecimentos pessoais vão amenizando a coisa:
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A Sofia fez 10 anos e festejamos tal facto condignamente (mesmo com muitíssimo prazer); confesso, sem preocupações, que sei menos (de muita coisa - a que nunca soube, a que esqueci logo, a que esqueci em pouco tempo e a que esqueci pelo não uso) que uma criança de 10 anos. E ainda bem que assim é;
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E o meu vice, o Raimundo, também fez anos (45! Agora é uma diferença aceitável, mas se registarmos que o conheci quando tinha 14 anos e ele 10, entenderão a relatividade da coisa - e porque, na altura, não lhe ligava nenhuma).
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sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Mudar para melhor
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O fim da estrada da morte - A 3 de Julho, uma mulher morreu na A25, na saída Viseu/Norte, junto a Boaldeia. Foi o primeiro e único acidente rodoviário com vítima mortal registado após a conclusão, a 30 de Setembro de 2006, da transformação do IP5 em auto-estrada. A mulher, cuja identidade não foi revelada, seguia ao lado do condutor quando o carro se despistou, cuspindo-a violentamente para a faixa de rodagem. O acidente foi a excepção de uma paz, quase completa, na estrada que sucedeu ao pesadelo do IP5, via onde morreram, desde a década de 80, centenas de pessoas, a uma média de 25 por ano.
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Esta é uma notícia do JN de hoje. Para mim, a única notícia que o Jornal devia destacar. A transformação de uma via que somava 25 mortes por ano (IP5) numa outra em que morre apenas uma, pelo menos por agora, tem que ser A NOTÍCIA do momento.
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Há mais coisas boas a apontar?
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