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sexta-feira, 11 de abril de 2008

Notícias importantes!

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Rui Rio tem um processo crime porque um arrumador o acusou de publicar a sua imagem sem autorização. Nas palavras do edil, estamos a falar duma fotografia publicada na revista da Câmara Municipal do Porto onde esse arrumador aparecia "ao fundo, com um chapéu enfiado até ao nariz". Mas um arrumador, assim tratado, não tem uma nova dignidade, por ter uma profissão reconhecida?
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Uma condutora foi detida e multada, embora ninguém (das autoridades que a detiveram) soubesse que multa lhe devia ser aplicada, por usar como combustível, no seu Mercedes a gasóleo, oléo vegetal (doméstico, para fritos). Usava menos de 27 litros, o que lhe permitiria usar esse combustível sem pagar o imposto sobre produtos petrolíferos ... se tivesse uma guia que referisse essa isenção, passada por qualquer alfândega. Como não tinha, vai pagar 150 euros de multa (deve ser coima a expressão correcta). O dono do carro diz que usa o oléo para fritar uma vez e depois despeja-o no depósito de gasolina do carro. Outros despejam-no pelas fossas, poluindo águas e terrenos. Mas estes não pagam nada! Esta é a política "poluidor pagador", tão apregoada pelos nossos governantes? Se é, estamos falados!
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O primeiro-ministro irritou-se e, num tom pouco respeitoso, grosseiro mesmo, pediu a Santana Lopes que contribuísse para o debate com qualquer coisinha, qualquer coisinha ... nova! Mas desde quando um político, do governo ou da oposição, se preocupa com isso? Se apoia o poder, aplaude; se está na oposição, diz mal. Ponto final!
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Mais uma desilusão em Alvalade: Sporting perde 0-2 com equipa escocesa e é afastado das meias finais da Taça UEFA. O Natal chegou tarde, mas chegou!
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Graças a Deus, estas são algumas das mais significativas notícias do dia, nos jornais. A DREN não podia ficar de fora desta "visão idílica":
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A Direcção Regional de Educação do Norte apresentou uma queixa ao Ministério Público e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social por causa da forma como alguns órgãos de comunicação social exibiram o vídeo filmado na escola Carolina Michaelis. O jornal Expresso, um dos visados, afirma que a queixa da DREN não tem qualquer justificação.
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Isto é que é um bom serviço prestado à Educação, ao Carolina Michaelis e aos Alunos, todos! Manter o assunto na ordem do dia, para que continuemos a ver as imagens ... com caras distorcidas que todos já viram ao vivo! Esquecer este triste assunto, não é boa política. Mantê-lo na ordem do dia, já está bem.
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Apetece dizer: somos todos romanos nas fortificações que cercam a aldeia dos irredutíveis gauleses!
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domingo, 30 de setembro de 2007

Apontar o que ESTÁ BEM

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Vamos fazer de Outubro o mês do "dedo" do bem. Vamos apontar o dedo às coisas boas que conhecemos. Este é o verdadeiro desafio.
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Falar do que está mal, é fácil. Apresentar soluções, é bem mais difícil.
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Tarefa complicada é mostrar o que está bem - não pela raridade dos factos, mas pelo que desnuda, no que respeita às nossas convicções, tendências e tentações.
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Começo por uma pessoa que está de saída, para entrar noutros mundos.
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Tenho quase 50 anos. Nasci e cresci em Vila Nova de Gaia, cidade vizinha do Porto e pelo Porto abafada. Dormitório que sempre quiz ser mais. Grande no espaço, na gente, na vontade de se afirmar.
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Os estúdios do Porto da RTP foram sempre em Gaia. O vinho generoso enriquece em Gaia, mas deu e dá nome à capital do Norte.
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Não tenho memória de reais investimentos pessoais que projectassem a cidade. Conheci uma boa dezena de responsáveis pela edilidade que trabalharam com maior ou menor denodo, mas nenhum logrou edificar um lugar aprazível, desenvolvido, moderno e modelar.
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Até que chegou Luis Filipe Menezes. Não esperava muito, à data. Não pertenço ao quadrante político onde ele se move, antes me situo em espaço ideológico bem afastado.
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Mas a realidade não se compadece com pré-conceitos, com concepções puramente teóricas.
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Menezes investiu na cidade. Muito. Pode ter tido motivos egoístas, mesquinhos, desprezíveis. Mas deu muito, sobretudo de si. Correu riscos, enfrentou adversários poderosos, avançou nas ideias e levou à prática. Fê-lo de forma coerente e, mais importante ainda, de forma constante.
Não adormeceu à sombra do que começou a fazer, nunca parou, construiu sempre.
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Dois aspectos registo, na sua governação: não se mostrou satisfeito, nunca, nem nos melhores momentos. A sua vereação, os que com ele trabalharam, foram sempre substituídos, no momento de iniciar novo mandato. Por muito bem que tivessem desempenhado a tarefa, por muito importantes que (se julgassem ou que) fossem. A sua ambição não é (não foi, em Gaia) limitada. E nunca deixou de actuar, de fazer o que pensava ser certo, fossem quais fossem os grupos de pressão. Mesmo que representassem uma fatia significativa dos seus eleitores ou dos seus financiadores. Nem os aspectos menores o fizeram perder tempo.
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Alguns exemplos da sua obra política:
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O realojamento não se centrou num local, antes se espraiou por todo o concelho. Não criou bairros socialmente degradados, não ghettizou pessoas;
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A requalificação, com preocupações ambientais, foi sempre um objectivo prioritário. Não em função dos interesses dos mais abastados, mas dos seus munícipes. A Ribeira de Gaia, a Costa Marítima e o centro da cidade são bons exemplos;
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O que não dependia de si não era abandonado, alijando responsabilidades que seriam doutros. As vias de comunicação que atravessam e circundam a cidade são admiráveis obras de outros, que só se concretizaram nos seus mandatos;
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Não desprezou o desporto e a cultura. Atraiu instituições de relevo - o F. C. do Porto, o TEP, esteve na construção de infra-estruturas culturais e desportivas - as piscinas nas freguesias, os poli-desportivos, a Casa da Cultura, os estádios do Candal e de Canelas;
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Apoiou a Educação, sem se desculpar com os deveres do poder central.
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Por último, que isto já vai longo: ao contrário do que acontece com a generalidade dos municípios do país, V. N. de Gaia tem visibilidade, no que foi feito. Também terá ultrapassado os limites do endividamento, terá desviado verbas de uma rubrica para outra, estará a dever a muita gente, mas, pelo que se pode constatar, o destino foi o concelho. E isso, para mim, munícipe de Gaia, basta.
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Em tempo: não sei como será, à frente de um partido político com dimensão nacional (ainda que se mantenha na Câmara de Gaia, para ter uma plataforma de intervenção pública, considero que já cá não mora); nem como será, se lhe confiarem os destinos do país.
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Mas os indicadores que construiu, enquanto responsável pela minha cidade, são muito bons.
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Conhecendo a capital do país como conheço, Luis Filipe Menezes não se deve esquecer do que disse, que se mantém actual (sulistas e elitistas) e de Fernando Gomes. A outro nível, mas também indicador a não menosprezar.
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sexta-feira, 27 de julho de 2007

PSD: Que liderança?

No artigo que recentemente escreveu, “Contra o medo, liberdade”, Manuel Alegre dizia a dada altura, quando se referia às oposições ao actual Primeiro-Ministro: “A verdade é que não se perfilam, por enquanto, nenhumas alternativas à sua liderança. Nem dentro do PS nem, muito menos, no PSD.” Alegre constatava uma evidência. Não é algo que não fosse possível de perspectivar há dois anos atrás. É, de certo modo, natural que dentro do PS não sujam vozes dissonantes. A maioria tem que dar imagem de consenso e apoio ao Governo. Afinal as sondagens continuam a ser favoráveis! Por outro lado, não é fácil ser oposição a uma maioria absoluta e muito menos quando não se perspectivam eleições à porta! Não foi por acaso que só dois candidatos quiseram lutar pela liderança do PSD aquando da última contenda pelo cargo. E mesmo um deles, Filipe Menezes, só o fez porque tinha um objectivo maior: estava mais interessado em ganhar o seu espaço de potencial candidato em próximas disputas do que, propriamente, ganhar aquela em questão.
Daí a trivialidade da constatação. Os críticos do PS não têm condições favoráveis à contestação e o PSD vive o pior cenário para actuar como oposição.

Este panorama não é novo em Portugal. Aconteceu há bem pouco tempo, primeiro nos tempos áureos do Governo de Cavaco Silva e depois, durante menos tempo, nos primeiros anos de governação de António Guterres.

Aproveitei a citação de Alegre porque ela é de todo actual em tempo de eleições no PSD. Sou militante deste partido há muitos anos e partilho dos seus fundamentos há alguns anos mais. E, como militante, renovo nestes tempos a esperança de ver no meu Partido uma liderança forte, capaz de me fazer acreditar, de novo, que são os ideais relativos à pessoa humana e à sua vivência em sociedade que estão na base da acção política.

Existe uma dificuldade que só os militantes do PSD têm na altura de escolher um líder para o seu Partido. No seu subconsciente estão sempre duas referências, Francisco Sá Carneiro e Aníbal Cavaco Silva, que pelas suas virtudes e carismas tornam muito difícil a escolha de um novo líder. É impossível não fazer a comparação, pelo que, saímos sempre um pouco desiludidos com as novas escolhas.
A verdade é que, apesar das suas competências, os últimos eleitos nunca satisfizeram as nossas ambições. E o PSD é assim, vive muito do seu líder, do seu carisma em especial.

Que dizer então do próximo acto eleitoral no PSD e dos candidatos que se perfilam?
A primeira observação refere-se à vontade de ir a votos. A ideia que transparece é que ainda é cedo. Há mais dois anos de oposição pela frente. Talvez daqui a um ano a vontade de ser candidato seja maior.
Marques Mendes leu bem esta realidade. Sabendo da pouca vontade dos seus “incógnitos” opositores internos obrigou-os a decidir: ou revelam-se agora ou esperam mais dois anos!
Filipe Menezes viu-se numa encruzilhada. Foi ele que deu a cara como oposição interna e, sabendo que este talvez não seja ainda o timing certo para si, foi obrigado a decidir.
Há ainda um terceiro candidato cujo o impacto no resultado final me parece ser reduzido.

Marques Mendes foi, para alguns, uma desilusão.
Não partilho desta ideia mas reconheço que faltou alguma coisa. As condições foram complicadas. Até se obtiveram algumas vitórias (nas autárquicas, por exemplo). A comunicação social nunca rumou a nosso favor, é certo. Mas alguma coisa faltou. Houve falhas imperdoáveis sob o ponto de vista de visão política (esta da Câmara de Lisboa foi uma delas!). O Governo esteve sempre muito à vontade para fazer o que bem entendeu. A Democracia ficou a perder e a nossa vontade participar é cada vez menor.
O próprio partido não recuperou de certos vícios que o enfermam. O aparelho, nacional ou local, deixa pouco ou nenhum espaço para a discussão do que é importante. Onde está a abertura à sociedade? Revejo-me cada vez menos nos que suportam ou fazem parte desse aparelho e, com isso, esqueço os princípios e as ideologias que me fizeram dar a cara por este Partido. Dou por mim a questionar o papel dos partidos no actual sistema político. Farão ainda sentido? Se não são os ideais que nos unem o que nos unirá então? O que justifica sermos Partido?

Uma liderança com Luís Filipe Menezes é difícil de perspectivar.
Um olhar pela história leva-nos ao congresso em que proferiu as célebres palavras “sulistas, elitistas e liberais” que o remeteram a uma clausura que só em termos regionais lhe permitiu alguma liberdade. Neste Portugal a duas velocidades, talvez façam mais sentido hoje essas palavras do que na altura em que foram proferidas, mas o certo é que elas podem ainda continuar a fazer mossa. Uma das questões que se põe em relação a Menezes é se ele conseguirá projectar para o plano nacional a sua imagem regional.
Outra é aquela que se relaciona com questões antigas dentro do próprio PSD-Porto. Não esqueçamos as divergências em relação ao próprio Rui Rio.
Mas Menezes tem três trunfos muito importantes. Um, é a obra feita em Vila Nova de Gaia. Outro, é a sua habilidade política em termos de movimentação dentro do aparelho partidário. E depois ainda há o descontentamento com a actual liderança.
Outro aspecto que parece ser possível adivinhar é que, com Menezes à frente, o PSD vai fazer muito mais barulho. Vai aborrecer mais o Primeiro-Ministro porque não vai estar calado nem embarcar nos apelidados pactos de regime que outra coisa não são do que um modo hábil de calar a oposição.

Olho os que se perfilam para serem líderes do PSD e surge, porque comparo, aquela sensação de vazio, aquela insatisfação que só o militante do PSD conhece e que atrás relatei. Recordo novamente os tempos em que acreditava!
Daqui até Setembro gostava que mais alguém ousasse candidatar-se. Não acredito que tal vá ocorrer, mas gostava.
Quem? Não sei.